Minha vida esteve sempre ligada ao antigo Correios e Telégrafos, pois lá minha mãe trabalhou e se aposentou. Sempre respeitei muito o trabalho daqueles que entregam nos mais recôndidos lugares as  cartas tão importantes para qualquer pessoa, seja de negócios, seja aproximando pessoas. Faça chuva, faça sol, seja no morro ou no asfalto, lá está o carteiro cumprindo o seu importante dever.E quem escreve tem a certeza de que sua carta chegará ao destino. No final dos anos 90, tomei conhecimento de que os Correios, após o Natal, destruia todas as cartas endereçadas a Papai Noel.

Pensava então em cartas singelas, infantis e que em sua maioria deveriam pedir brinquedos. Eram cartas que então não chegavam nunca a seu destino, eram destruidas. Dirigi-me então ao Gerente da ECT em Teresópolis, Sr. Sergio, e disse-lhe do meu desejo de receber estas cartas para ver de que forma atendê-las. O Sr. Sergio explicou-me que pela legislação vigente ele não poderia fazer isto, salvo em condições extraordinárias e ainda autorizado por sua direção geral no Rio de Janeiro. Pedi-lhe então que fizesse uma consulta a sua direção, dizendo da seriedade do pedido e de que  a nossa Loja Maçônica estaria envolvida neste projeto. Passados alguns dias recebi então o sinal verde e desde então, anualmente, todas as cartas endereçadas a Papai Noel nos são entregues. Logo no primeiro ano, nossa surpresa foi enorme. Aquelas cartas, alem dos pedidos simples de brinquedos, traziam, em sua maioria, verdadeiros gritos de socorro de pessoas atingidas pelas vicissitudes da vida, e que, por não saberem mais a quem recorrer, por desespero apelavam para Papai Noel. O envolvimento de nossa Loja foi gradual mas constante, havendo irmãos que estiveram desde o primeiro dia empenhados conosco neste ideal. Hoje a totalidade da Loja participa com entusiasmo, inclusive o Departamento Feminino. Os funcionários dos Correios de Teresópolis também vibraram com a idéia e além de pesquisarem a veracidade das cartas, nos ajudavam nas entregas, e se emocionavam conosco ao verem aquelas pessoas receberem o que haviam solicitado, daí esta campanha ter sido conhecida também como Papai Noel dos Correios. Infelizmente logo no terceiro ano não pudemos mais contar com a ajuda daqueles carteiros já que , por redução de custos não mais nos ajudariam nas entregas. Lembro-me que logo no primeiro ano, um dessses carteiros de apelido "batatinha", se envolveu de corpo e alma no projeto e era um entusiasta, dizendo-nos que este projeto o fazia vibrar de emoção. Infelizmente este carteiro veio a falecer, e nós, no dia de natal daquele ano, fomos a sua casa prestar aos seus parentes singela, mas justa homenagem àquele exemplo de ser humano. No último ano (2006) as nossas lojas co-irmãs tambem participaram, e tomamos conhecimento de que outras pessoas e até firmas de nossa cidade buscavam junto aos correios cartas para serem atendidas. Melhor não poderia ter sido. Nosso exemplo frutificou, e creio que hoje, em Teresópolis ninguem deixa de ser atendido  Esta em rápidas palavras é a história da Campanha Papai Noel Existe, história esta que a cada ano ajudamos a escrever. No início dez, hoje 50 cartas. Desde material escolar até brinquedos, desde reforma de casa até alimentação, desde emprego até atendimento médico/odontológico, enfim se pede de tudo e nós sempre atendemos. Fique claro que esta campanha tem como seu principal objetivo manter acesa a luz da esperança no coração dos desesperançados, pois não temos a pretensão de resolver todos os problemas trazidos, mas darmos a eles a certeza de que sua carta chegou ao destino, suas vozes se fizeram ouvir e de que alguem se importa. Muito tambem temos aprendido com esta campanha. Hoje, todos nós envolvidos podemos dizer que tambem recebemos importantes instruções e exemplos destas pessoas simples e humildes. Podemos afirmar que quem se envolveu ou se envolve nesta campanha se aprimomara como ser humano, como pai, como filho e como irmão. E este é o grande objetivo de nossa instituição, "Transformar homens bons em homens melhores".    Certa ocasião, junto com o presente solcitado, escrevi para uma menina que reclamava dos pais não acreditarem em Papai Noel e de que ela acreditava, e muito. Disse-lhe então que não precisamos ver a eletricidade para sabermos de sua existência, da mesma forma não precisamos vê-lo, pois todos nós sabemos que PAPAI NOEL EXISTE.